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Motivação – Um por todos e todos por um!

Motivar é provocar um impulso interno que leva a ação. Para gerar esse impulso interno é importante entender as teorias motivacionais, o contexto atual da sociedade e o comportamento humano. É interessante olhar também práticas motivacionais fora do ambiente corporativo, como por exemplo nos esportes coletivos.

Algumas teorias motivacionais

A hierarquia das necessidades de Maslow, por exemplo, parte do princípio de se atingir gradativamente as necessidades do ser humano, iniciando pelas básicas e culminando na realização pessoal através de conquistas de grande relevância.

A teoria dos dois fatores de Herzberg definiu fatores higiênicos e os motivacionais. Os fatores higiênicos são extrínsecos, estando associados ao ambiente e condições que as pessoas realizam o seu trabalho. Os fatores motivacionais são intrínsecos, estando relacionados ao papel e responsabilidades do cargo e o desejo de crescimento pessoal. A motivação plena dos profissionais seria atingida com o aumento da complexidade das atividades, proporcionando desafios constantes que tornariam as conquistas mais gloriosas com reconhecimento pessoal.

A teoria X e teoria Y de McGregor eram antagônicas. A teoria “X” foi criada com base nas ideias de Elton Mayo (1933) e tem um enfoque autoritário. Ela encara o profissional como uma pessoa que precisa ser direcionada, controlada e forçada a realizar as atividades. Podemos dizer que parte-se da premissa que o homem não gosta do trabalho sendo necessário força-lo, pois ele não tem ambição e iniciativa própria.
Baseando-se nas ideias de Maslow, McGregor reformula a teoria “X”, criando a teoria “Y”, onde o profissional controla a sua carreira, assumindo responsabilidades e buscando realizações profissionais para atender as suas necessidades de satisfação pessoal.

A teoria da avaliação cognitiva de Deci e Ryan atua sobre o impacto da utilização dos eventos externos na motivação intrínseca nos profissionais. Ela considera que as ações motivacionais nas organizações devem ser aplicadas baseando-se na relação entre os fatores intrínsecos, que tem um caráter individual, com os extrínsecos, que são ambientais, como recompensas monetárias.

Essas teorias são focadas no indivíduo. Elas se aplicavam bem num universo controlado, com atividades repetitivas e conhecidas.

O contexto atual

Atualmente, o problema não é conhecido e muito menos a solução. É necessário ter criatividade e olhar para tudo ao ser redor e não apenas para frente. Temos desafios constantes que nos movem em busca de soluções criativas para problemas pessoais, profissionais e corporativos. Falamos de “muitos para muitos”, aumentando a colaboração e a troca de experiências. Estamos formando grupos multidisciplinares para cocriarmos a todo instante, agora 1 + 1 = 3.

Viver nesse universo com muitos desafios e de intensa inteligência coletiva é perfeito para desenvolvermos a criatividade e a motivação. O individual perdeu força, pois o foco agora é a rede que tem um elevado poder de compartilhar, abrindo muitas possibilidades de geração e transmissão do conhecimento.

O conhecimento e a criatividade passam a ser fatores essenciais para a geração de valor dos produtos e serviços que são criados. Com isso, a capacidade de pensar e inovar se torna um diferencial competitivo. Nesse cenário, o fator motivacional precisa ser trabalhado de forma diferente.

E agora?

Quando estamos falando sobre motivação em ambientes criativos, é interessante conhecer o autor de alguns livros provocativos sobre mudanças no mundo corporativo, o Daniel Pink, que sugere a potencialização do lado direito do cérebro. Um dos seus bestsellers são “Drive: The Surprising Truth About What Motivates Us” e “A Whole New Mind”, que abordam uma nova forma de motivar as pessoas em busca da alta performance.

Na visão do Daniel, o ser humano precisa ter autonomia, ser desafiado e ter um propósito para ser fazer o que deseja. Esses fatores nos mantêm constantemente em movimento para aprendermos de forma evolutiva, fazendo com que o próximo passo seja viável, mas ao mesmo tempo desafiador. Nesse contexto, as recompensas como aumentos salariais, bônus, um final de semana em um hotel de luxo e até mesmo uma melhoria no ambiente de trabalho, têm um impacto temporário na motivação do profissional e algumas vezes até negativo, causando baixo rendimento. A utilização de incentivos e punições já não têm o mesmo efeito, quando precisamos ter pessoas criativas e inovadoras atuando em assuntos desafiadores, que precisam quebrar paradigmas e gerar novos negócios. Quem diria que o Google seria uma empresa de sucesso com grande foco em produtos gratuitos? Como a maior varejista não tem estoque ? Como a maior empresa de táxi não tem sequer um carro? Todas essas quebras de paradigmas e geração de novas oportunidades surgem da necessidade de aprender, colaborar, entender o outro, ter desafios, autonomia, atuar em assuntos interessantes e também se divertir. Proporcionar esses itens para os profissionais pode ser a chave para conseguir motivar as pessoas, fazendo com que elas queiram, por vontade própria, serem melhores a cada dia. Assim, provavelmente os resultados serão extraordinários, sem a dependência de se proporcionar salários ou gratificações enormes, mas é vale lembrar que oferecer o justo é muito importante.

Nos esportes coletivos

Eu gosto muito de relacionar o comportamento e interações das pessoas em ambientes criativos com o que vivenciei no esporte, como jogador de basquete. Nos esportes o trabalho coletivo é essencial e cada um dá o seu máximo por um propósito bem concreto. É interessante observar algumas experiências sobre trabalho em equipe, desafio e fatores motivacionais, aonde o sucesso só virá se tivermos a colaboração e o máximo esforço de cada um.

John Wooden tem uma história de sucesso, por ter sido o treinador que levou o time de basquete da UCLA (Universidade da Califórnia, Los Angeles) a conquistar 10 campeonatos nacionais, sendo sete deles em sequência. A primeira coisa que vem a mente é achar que ele tinha a vitória como a principal meta. Correto? Não! Para Wooden sucesso é “ a paz de espírito proveniente da consciência de que você fez o maior esforço possível para se tornar o melhor dentro do seu potencial”. Esse conceito claro, bem definido e simples, motivou os times de Wooden a buscarem algo além de vencer. Isso proporcionou uma união muito forte dos membros da equipe, onde cada um dava o melhor de si para superar os desafios e atingir as metas do time e não as individuais. Ele colocou em prática esse conceito com a criação da Pirâmide do Sucesso.

A Pirâmide do Sucesso de John Wooden evidencia os comportamentos, atitudes, valores e qualidades que são indispensáveis para o sucesso. “Ela representa o mais alto padrão e o guia mais produtivo para despertar o que há de melhor nas pessoas que estiverem sob minha orientação, bem como em mim mesmo.”, disse John Wooden.

Pirâmide do Sucesso

Com a pirâmide, Wooden definiu conceitos que quando empregados por cada um, valorizam a importância de cada membro do time, não havendo membros menos importantes, mas sim pessoas com competências diversas que são complementares. A ações desses atletas em conjunto com o emprego do esforço máximo, motivou intensamente as equipes de Wooden, tendo como consequência, as vitórias.

Buscando a excelência do seu time, Bernardinho criou a Roda da Excelência baseado nos conceitos de John Wooden. Ela está pautada nos seguintes pontos: trabalho em equipe, liderança, motivação, perseverança, obstinação, superação, comprometimento, cumplicidade, disciplina, ética, hábitos positivos de trabalho.

A roda se movimenta tendo como base um planejamento para se atingir uma meta. Nessa ótica, não se busca vencer, ser campeão ou estabelecer um recorde. Isso será consequência da busca da excelência. O primeiro item da Roda da Excelência é o trabalho em equipe, pois o Bernardinho argumenta: “Como posso ter o melhor atacante sem o melhor levantador? De que serve o melhor levantador sem um bom passador. Como posso ter o melhor time sem a soma desses talentos…”. Com esse pensamento coletivo e pelo fato de encarar a motivação estando relacionada a um propósito do grupo, ele critica a política de premiação individual da federação internacional. O senso coletivo e a necessidade mútua para se atingir os objetivos, são importantes mecanismos motivacionais para o grupo e não individuais, como prega o Bernardinho sobre a divisão da premiação pelos jogadores.

É isso aí!

Em uma empresa não é diferente, pois temos várias áreas envolvidas para o sucesso de uma iniciativa ou projeto. O todo precisa funcionar para que a entrega seja um sucesso. Trabalhar em equipe e explorar as diversidades é muito importante. Além disso, os desafios precisam ser constantes e atingíveis, para elevar o nível do desempenho do time e não o individual. O desafio é outro fator motivacional.

As estratégias motivacionais são apaixonantes pelo impacto que elas têm nos tempos atuais e pela sua importância para proporcionar o máximo da produtividade e realização das pessoas e equipes. É importante entender as teorias clássicas, para adquirir o conhecimento necessário e definir estratégias atuais, para serem aplicadas no momento que estamos vivendo.

As teorias clássicas foram definidas e praticadas em uma época de “certo” ou “errado”, onde a produção era algo mecânico e previsível, com grande foco no indivíduo e por isso na motivação individual. Estamos na época da quebra de paradigmas. Nesse momento o “ou” dá lugar ao “e”. Vivemos em grupo e temos desafios ao nosso redor, precisamos inventar soluções criativas a todo instante. Nesse cenário, a colaboração e o trabalho em equipe são essenciais para alcançar o sucesso. As práticas esportivas e as teorias de Daniel Pink parecem estar mais alinhadas, pois estimulam a união, a colaboração, o desafio, a autonomia e o trabalho em uma equipe multidisciplinar.


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