Author Archives: Cláudio Barizon

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Computação Positiva: Bem-estar à frente na relação homem-máquina

Como informamos no último post sobre Negócios Colaborativos, segue aqui a reprodução do artigo completo “Computação Positiva: Bem-estar à frente na relação homem-máquina”, da jornalista Grazieli Gotardoque e que foi capa do recém-publicado Anuário de 2016 da SUCESU-RS.

Ele apresenta este interessante conceito, a Computação Positiva, baseado na obra dos professores da Universidade de Sydney, Austrália, Rafael A. Calvo e Dorian Peters em seu livro Positive Computing – Technology for Wellbeing and Human Potential (MIT Press, 2014).

 

Computação Positiva: Bem-estar à frente na relação homem-máquina

Movimento surgido em 2014 na Austrália defende uma nova era na computação, em que o estudo das emoções positivas seja a base para o desenvolvimento tecnológico, trazendo benefícios psicológicos e sociais

Se uma nova tecnologia não for para melhorar o bem-estar individual, da sociedade ou do planeta, ela deveria existir? Essa é a pergunta feita logo no início do livro Positive Computing – Technology for Wellbeing and Human Potential (MIT Press, 2014), dos professores da Universidade de Sydney, na Austrália, Rafael A. Calvo e Dorian Peters. A obra, com chancela de renomadas instituições norte-americanas e europeias, abriu a discussão no meio acadê- mico sobre uma nova área multidisciplinar que reúne psicologia, economia, educação, neurociência e interação homem-máquina.

Mobilidade, internet das coisas, vestíveis, realidade aumentada e virtual, tudo isso está cada dia mais presente na vida das pessoas. Se, por um lado, a tecnologia encanta porque reduz distâncias, integra e aumenta a produtividade, por outro, pesquisas também indicam o aumento do estresse e da ansiedade no mundo causados pelas novas tecnologias. Este é o desafio da computação positiva, trazer para uma área exata e sempre ávida por números, conceitos de bem-estar.

Termos como emoções positivas, autoconsciência, motivação, empenho, atenção plena, empatia, compaixão e altruísmo estão presentes nos estudos em computação positiva. “Estamos gradualmente deixando para trás o forte impulso pela produtividade e eficiência que caracterizou o início da computação e amadurecendo para uma nova era em que as pessoas exigem que a tecnologia contribua para seu bem-estar, bem como com algum tipo de ganho social”, afirmam os autores. Calvo destaca o desafio dos profissionais de tecnologia, em especial desenvolvedores de software e engenheiros, pois basta ele mencionar conceitos como bem-estar e felicidade em suas palestras para observar algumas “expressões de estranhamento” ou receber “provocações acadêmicas”.

O objetivo é que, além de atuar em aspectos emocionais, a tecnologia contribua para melhoria da experiência do usuário de modo geral, o que, para os autores, é inevitável no momento tecnológico. Alguns dados comprovam. Em 2016, quase 3,5 bilhões de pessoas (46% da população mundial) têm acesso à internet (internetlivestats) e 4,5 bilhões têm smartphones (statista.com). A tecnologia é interativa e onipresente.

No caminho da psicologia positiva

A psicologia positiva é a “estrada que pavimenta” a computação positiva, como citam Calvo e Dorian no livro. Igualmente novo, o movimento surgiu oficialmente nos Estados Unidos, na década de 1990, a partir da iniciativa de Martin E. P. Seligman, psicólogo e professor da Universidade da Pensilvânia. Na psicologia positiva, a prioridade é o estudo das emoções positivas e de fatores que levam as pessoas a ter mais felicidade, em detrimento das patologias. São três pilares: emoções positivas, traços positivos e estudo das instituições positivas (democracia, liberdade, família).

Apesar de os estudos sobre qualidade de vida e felicidade não serem algo novo, pois são feitos desde a década de 1970 gerando índices como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), apenas nos últimos anos a tecnologia permite a medição de aspectos subjetivos e em tempo real. Ao ser perguntado se a humanidade está mais feliz atualmente do que há 20 anos, quando havia bem menos tecnologia à disposição, o professor Seligman é lacônico: “Pouca mudança”. Por isso, para ele, a política da próxima década será o bem-estar antes da produtividade e a tecnologia é a ferramenta para “medir o bem-estar em tempo real e realizar intervenções adequadas em tempo real”.

É o que explica Claudia Hofheinz Giacomoni, Coordenadora do Núcleo de Estudos em Psicologia Positiva (NEPP), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “O que determina a interpretação do conceito de bem-estar e felicidade são aspectos subjetivos, cognitivos e emocionais. Porque tudo depende do uso e da interpretação que o sujeito vai fazer da situação”, afirma. Ela complementa que aspectos como a personalidade do indivíduo e a adaptação ao ambiente também são importantes. A tecnologia agora pode ajudar a compreender melhor a experiência emocional das pessoas através de análise de textos, expressão facial, fisiologia, interação e análises comportamentais.

 


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Negócios Colaborativos e uma Sociedade mais Próspera

Category : Bússola Digital

Mais um artigo interessante que reproduzimos aqui no Bússola Digital. Ele trata da “Computação Positiva” e foi capa do Anuário de 2016 da SUCESU-RS, que acaba de ser publicado e foi escrito pela jornalista Grazieli Gotardo da Reverso Comunicação.

Na verdade, destacamos a parte do texto sobre “Negócios Colaborativos e uma Sociedade mais Próspera”, onde são apresentados dois rápidos cases: o ZEHNK (ferramenta para gestão do trabalho colaborativo), que já foi referenciado no post anterior, e o Mundo Prateado, uma linda iniciativa de duas corajosas empreendedoras.

No próximo post, porém, reproduziremos o artigo completo que trata da “Computação Positiva: Bem-estar à frente na relação homem-máquina”, para conhecermos mais sobre este conceito.

 

Negócios colaborativos e uma sociedade mais próspera

Inserir o bem-estar na estratégia da empresa, no escopo dos projetos, no treinamento dos colaboradores e como benefício para o cliente. Este é o desafio dos empreendedores, em especial na área de tecnologia. Porém, uma rápida pesquisa no Google com o termo computação positiva em português mostra que o conceito não encontra referências no Brasil, nem acadêmicas, nem no mercado corporativo.

Alguns empreendedores, no entanto, já estão atentos. É o caso de André Monclaro Fleury, fundador da Zehnk Technology do Brasil. “Na verdade, o aplico muito antes de conhecer. A falta de soluções corporativas que colocassem o usuário em primeiro plano foi o principal motivo de criarmos a Zehnk. Eu e meus sócios temos mais de 25 anos de mercado e tínhamos isso em mente, que não existem soluções que melhorem a vida de quem trabalha, que, através do uso delas, as pessoas consigam ser mais livres, mais felizes”, conta.

O Zehnk é um sistema que fomenta o trabalho colaborativo, um aplicativo web e em que todos precisam trabalhar juntos para resolver um problema. Por isso, Fleury acredita totalmente na aplicação da computação positiva nos negócios. “Nosso time não tem meta de produtividade. Toda semana cada um olha o que temos de trabalho planejado e decide quanto daquilo está disposto a fazer. E isso é sensacional”, exalta.

Outro exemplo de negócio que já nasceu pensando no bem-estar é a startup social Mundo Prateado, plataforma que reúne informações, serviços e produtos com foco na população acima dos 60 anos. “Como o Mundo Prateado visa promover o bem-estar ou o bem viver dos idosos e seus familiares, a aplicação dos conceitos da psicologia e da computação positiva é inerente ao negócio. O movimento por trás do Mundo Prateado é a recriação da cultura de respeito ao idoso e da rede social que o deve apoiar, assegurando relacionamentos, engajamentos, propósitos, enfim, uma vida social positiva”, explica Marta Pessoa, sócia, que esteve em São Francisco (EUA), em outubro, para apresentar o projeto, o qual foi selecionado por uma busca global de startups sociais.

 


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Organizando o Trabalho Colaborativo

Reproduzo, abaixo, o artigo “Organizando o trabalho colaborativo” publicado no Projeto #Colabora pelo jornalista Nelson Vasconcelos. Ele traz uma tendência que começa a tomar forma também no Brasil, com ferramentas de apoio ao trabalho colaborativo para equipes de todos os portes e que querem se organizar e se comunicar melhor. Este conceito vem ganhando uma nova categoria definida pelo Gartner: o CWM, Collaborative Work Management.

O artigo mostra também um pouco da nossa experiência em uma iniciativa muito bacana no mundo das startups, através da criação de uma ferramenta de CWM, o Zehnk.

Obs.: Conheça também o Manifesto do Trabalho Colaborativo.

Veja o artigo do Nelson:

Novos softwares ajudam empreendedores a ganhar eficiência

A facilidade da comunicação via internet ajuda a sustentar a crescente onda do trabalho colaborativo – e nada indica que ele vai perder sua força. Mas, tocado de forma colaborativa ou não, não esqueçamos que todo projeto sério precisa de muitas discussões, testes, revisões etc. E a documentação gerada ao longo desses processos costuma ser gigante. É justamente para evitar o caos nesse segmento que começam a surgir softwares para a gestão de trabalho colaborativo – também chamados de CWM (de Collaborative Work Management).

Queremos evitar a dispersão dos dados e a perda de tempo (e produtividade) na sua busca.

Claudio Barizon – Diretor da Zehnk

 

O principal objetivo desses programas é concentrar numa mesma plataforma todas as trocas de informação entre os diversos colaboradores de um mesmo projeto. Imagine, por exemplo, quantas mensagens via e-mail, WhatsApp, Messenger etc são trocadas durante a execução de um mesmo projeto na área de educação. Organizar tudo isso, priorizando os insights positivos, é uma tarefa difícil e delicada.

– Queremos evitar a dispersão dos dados e a perda de tempo (e produtividade) na sua busca – diz Claudio Barizon, diretor da Zehnk, ferramenta de CWM que entrou em operação em setembro de 2016 e rapidamente encontrou um público interessado no assunto.

De fato, é um mercado promissor. Barizon calcula que ele pode chegar a dois bilhões de pessoas nos próximos anos. Não por acaso, muitos desenvolvedores de softwares já estão oferecendo suas soluções. É o caso das americanas Clarizen, Redbooth, Wrike, Planview e Asana, entre outras tantas. São softwares semelhantes entre si, mas não exatamente fáceis de serem operados.

Já a brasileira Zehnk, diz Barizon, está mirando num público mais amplo, que não tem muita intimidade com a tecnologia. Taí uma boa ideia. Com muita frequência, softwares de gerenciamento corporativo exigem o reforço de um profissional qualificado. No entanto, nem todas as empresas contam com esse tipo de colaborador em suas equipes ou têm recursos para contratá-los. Franquear o livre acesso a todas as áreas do projeto também é uma das características dos softwares de CWM, respeitando a lógica dos projetos colaborativos, que não costumam ter hierarquias rígidas na sua organização. A comunicação entre as partes tem que ser ampla, geral e irrestrita, e é assim que esses programas funcionam.

O conceito de ferramentas de CWM é muito novo e certamente vai ganhar terreno não só entre os projetos colaborativos, mas também entre empresas mais tradicionais e que tenham equipes reduzidas. E diria ainda que as ferramentas de CWM podem ser usadas até mesmo para administrar projetos domésticos, como as próximas férias, ou as grandes festas de família – esses eventos que exigem um planejamento e muita paciência, como bem sabemos. Mas aí é outra história.


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Um Café com a Marta do Mundo Prateado

Saiu neste Domingo, 18/09, na coluna do Mauro Ventura em O Globo, um papo bem legal com a Marta Pessoa. A Marta, junto com a Maristela Velloso, é a idealizadora do Mundo Prateado, um Portal de conteúdo e serviços voltado para as pessoas da terceira-idade (e simpatizantes, como ela mesma gosta de falar).

aging

Na matéria, ela conta as sua motivações para ter dado início a esta bela iniciativa e fala sobre a seleção da startup como uma das finalistas do Aging2.0, maior evento do mundo focado em empreendedorismo digital para a terceira idade.

Leiam aqui o artigo e conheçam melhor esta linda história.

A ViaDigital tem o maior orgulho em participar desta iniciativa, apioando Marta e Maristela a construírem este mundo prateado digital. Já tínhamos falado um pouquinho dele no nosso blog

Mundo Prateado2

A propósito, para quem quiser oferecer algum serviço ou conhece quem queira, as Páginas Prateadas é o Guia de produtos, serviços e profissionais envolvidos na melhoria da qualidade de vida de idosos e familiares do Mundo Prateado e o cadastramento e gratuito. Clique aqui para fazer o cadastro.


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Todos no mesmo Barco

Outra dica de leitura. Agora não mais relacionada ao esporte. Ao contrário até. Trata-se de um exemplo que vem da área militar. É isso mesmo!

O livro não é muito recente… Ele é de 2006, mas o acho realmente excelente. Seu nome é “Este barco também é seu” (D. Michael Abrashoff, Ed. Cultrix).

Barco

O Capitão Abrashoff conta a sua experiência no comando do navio de guerra USS Benfold. Ele fala dos desafios de transformar toda uma tripulação de baixa produtividade em uma equipe de alta performance, reconhecida por toda a Marinha americana. Seu navio e suas práticas tornaram-se, inclusive, referências de gestão, quebrando alguns paradigmas militares que vem sendo utilizados desde então.

Alguns dos capítulos indicam bem a linha que o capitão segue, que é bastante participativa. Vejam os tópicos abaixo:
– Lidere pelo Exemplo.
– Ouça com o Máximo de Atenção.
– Comunique o Objetivo e o Sentido.
– Crie um Clima de Confiança.
– Busque Resultados, Não Elogios.
– Assuma Riscos Calculados (você e seu time – com autonomia).
– Vá Além do Procedimento Padrão  (para a cultura americana e militar, ainda por cima, isso é uma tremenda quebra de paradigma).
– Prepapre o seu Pessoal.
– Estimule a União.
– Melhore a Qualidade de Vida de seu Pessoal.

A única restrição que faço ao comandante diz respeito a determinadas ações que ele apresentou. Como parte de uma esquadra, senti falta, em alguns momentos, de um alinhamento com os demais capitães. Talvez, em algumas situações, ele tenha criado algumas inimizades por não compartilhar iniciativas previamente, que poderiam ser aplicatas a todos os barcos e não apenas ao seu. Sem dúvida, este é um ponto de atenção, que os líderes precisam tomar cuidado. Afinal de contas, existe um contexto político (junto aos pares, principalmente) que deve ser melhor tratado. Isso evita “sabotagens” e cria um clima de harmonia não apenas dentro do seu time, mas entre as equipes.

Bem, se vocês quiserem uma prévia antes de adquiri-lo, veja/leia as primeiras partes do livro aqui.

Neste vídeo, vocês podem ver o Mike em uma palestra pregando os seus conceitos. Vale conferir. https://www.youtube.com/watch?v=ekbpvkZ1VeA


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Liderança e o Esporte

Em tempos de Olimpíadas, algumas dicas de leitura.

Entre os vários exemplos de liderança que temos, principalmente na literatura, os que mais gosto são todos aqueles relacionados ao esporte. O Esporte, de fato, nos apresenta a cada dia lições de vida, não é?

Uma série muito legal é a coleção “Na Vida Como no Esporte” da Editora Sextante. O Bernardinho apresenta e comenta os 4 livros de 4 grandes personalidades do esporte e suas histórias de dentro e fora dos campos e quadras.

O primeiro título da coleção é “Nunca Deixe de Tentar” do Michael Jordan. Bem, este cara não precisa de apresentações, né? Ele fala da busca incessante pela excelência e por suas metas, estabelecidas uma a uma.

O segundo livro chama-se “Treinador” de Michael Lewis e sua referência: o treinadordurão Fitz, que trabalhava para transformar e preparar jovens através dos valores do esporte.

Fora do Comum” é o terceiro livro da coleção e foi escrito por um dos maiores técnicos do futebol americano, Tony Dungy e apresenta a liderança pelo exemplo.

Jogando para vencer” fecha a série. John Wooden é uma lenda do basquete americano, com sua Pirâmide do Sucesso: valores e integridade na vida e no esporte.

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Vale a leitura de todos eles. São fininhos e fáceis de ler. Espetáculo!


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O Mundo Prateado e o Aging 2.0

A ViaDigital começou uma parceria muito legal com o Mundo Prateado, que nos enche de orgulho e de entusiasmo.

 

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O Mundo Prateado quer garantir à crescente população que ultrapassa os 60 anos uma vida mais digna e ativa, ajudando idosos, familiares e amigos a encarar a maturidade de forma produtiva e criativa. Nosso papel nesta parceria é, juntamente com meninas responsáveis pelo Mundo Prateado, Marta Pessoa e Maristela Velloso, e ainda com a apoio da Renata Bonora, encontrar soluções facilitadoras, principalmente através de produtos digitais,  para o cotidiano dos idosos e seus familiares, inspirando pessoas e empresas a agir colaborativamente.

 

PaginasE esta parceria já está dando resultados. O Portal está crescendo! Agora, além da área de conteúdo editorial, com histórias inspiradoras e informações úteis à vida desta turma, criamos um Guia de produtos, serviços e profissionais envolvidos na melhoria da qualidade de vida de idosos e suas famílias, o Páginas Prateadas.

 

Startap aging 20Com esta iniciativa também nos credenciamos a participar do Aging 2.0, maior evento global focado em empreendedorismo digital para a terceira idade. Nós ganhamos a etapa do Rio com o Mundo Prateado e vamos estar presente na etapa nacional, que classifica uma startup para o evento mundial, que acontecerá em Outubro em São Francisco na Califórnia. Bem, vamos ver!

 

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O evento foi um sucesso e a Maristela e o Fabrício estiveram lá nos representando e conquistando esta importante etapa.

Conheçam também a nossa página do Mundo Prateado no Facebook e nos curta lá! Acreditamos que nosso Portal poderá ser muito útil a todas as famílias.

 


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O Manifesto do Trabalho Colaborativo

Você trabalha de forma colaborativa com suas equipes, pares e superiores? Muito provavelmente, a resposta será sim. O trabalho colaborativo e o trabalho em equipe são muito valorizados hoje em dia, e todos buscam trabalhar desta maneira. Mas será que isso acontece, de fato?

Nossa experiência mostra que a realidade não é bem essa. Nas corporações, principalmente, há muitos interesses em jogo. Por mais que os objetivos da empresa estejam bem definidos para a entrega de serviços e produtos, os departamentos envolvidos podem não estar em sintonia ou em harmonia. Muitas vezes, há vaidades envolvidas, disputas de poder, desalinhamento e uma cultura que faz com que os profissionais pensem primeiro em se proteger contra qualquer falha e deixar um “culpado” pronto para receber as “punições”.

Esses ambientes sufocam o potencial dos profissionais e das equipes: opiniões de valor não são ouvidas (muitas vezes nem faladas), talentos são reprimidos e pessoas se tornam frustradas.

Não há trabalho colaborativo que resista.

É necessário, antes de qualquer coisa, haver uma cultura adequada, um ambiente propício para o trabalho em equipe, que pode trazer muitos ganhos às empresas e aos profissionais, com a contínua evolução da produtividade, o engajamento, o comprometimento e a (auto) motivação com a consequente felicidade pessoal.

Por este motivo, pedimos licença para explicitar pontos importantes na habilitação da  cultura colaborativa, colocando-os no manifesto a seguir. Nossa intenção é fomentar a discussão para reforçar a transformação cultural necessária e implantar os pilares de sustentação desta forma de trabalhar, cada mais mais imprescindível nos dias atuais.

Manifesto do Trabalho Colaborativo

Equipes felizes com o seu propósito, apaixonadas pelo que fazem, entregando resultados com alta performance, numa cultura genuinamente colaborativa.

Propósito

Precisa ser definido, comunicado de tal forma que gere o engajamento desejado para o atingimento dos objetivos.

Objetivo:

Todos têm um objetivo comum, com metas claramente definidas e convergentes, e são regidos pelo propósito.

Resultados:

Os resultados esperados são coletivos e naturalmente são superados em qualidade e agilidade. A inovação surge espontaneamente.

Gestão:

A gestão estabelece e zela pelo engajamento no propósito e a direção clara a ser seguida em todos os movimentos (ações, reuniões, decisões, comunicações), mantendo a equipe com foco no rumo traçado – não dizendo como fazer ou estabelecendo controles para checagem. A equipe decide como chegar lá.

O gestor trabalha com regras do jogo em evolução constante, expectativas claras e transparentes, criando uma cultura de contribuição, incentivando a troca de ideias, opiniões e a participação das pessoas, provocando discussões construtivas, alto grau de engajamento e prazer, com autonomia e responsabilidade para experiências e aprendizados – sabendo que sucessos e falhas fazem parte da jornada. 

Liderança, porém, não é uma característica apenas da gestão. É um estado de espírito. É a internalização consciente, pelos membros da equipe, da esperada atitude.

Equipe:

A equipe comunga de um propósito e é definida pelo objetivo a alcançar e não pela estrutura hierárquica, centro de custo, área, departamento, unidades, diretorias ou organização.

A equipe é especializada ou multidisciplinar, experiente ou iniciante, e trabalha coletivamente na busca da solução dos problemas.

A equipe é autônoma, autorregulada, comprometida, assume suas responsabilidades para realizar suas atividades e conquistar os seus objetivos.

A equipe aprende continuamente (tanto em relação à técnica quanto ao lado comportamental), analisando suas métricas, adaptando e evoluindo seus processos, buscando a excelência de suas entregas, construindo e mantendo um ambiente eficiente, lúdico, saudável e feliz.

Pessoas:

As pessoas recebem bem os desafios e mudanças e o aprendizado é constante.

As pessoas conhecem as regras do jogo e participam ativamente contribuindo, trocando ideias, opiniões, com discussões construtivas, alto grau de engajamento e prazer, com autonomia e responsabilidade para experiências e aprendizados – vivenciando seus sucessos e falhas.

As pessoas dão e recebem feedback de forma aberta e madura.

 

Qual é a sua opinião? Concorda com estes pontos? Venha fazer a sua contribuição e assinar o manifesto! Vamos transformar a cultura, modernizando a forma de trabalho na era do compartilhamento e contribuição. Assine o manifesto:http://manifestocolaborativo.org/manifesto-trabalho-colaborativo/#respond 

 

Cláudio Barizon, Fabrício Fujikawa e Jesuíno Lopes são signatários do manifesto


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Práticas Ágeis: Para Cada Tipo de Paciente, uma Dose do Remédio

Para muitos é “ame-as ou deixe-as”. Para outros, elas são cultuadas e precisam ser seguidas à risca, quase como uma religião. Mas as práticas ágeis estão apoiadas em conceitos simples, com foco na interação das pessoas para solução de problemas e entregas de valor. Desta forma, sua adoção permite que você avalie quais melhores práticas se encaixam na sua necessidade e como as mesmas devem ser implantadas.

Particularmente, não acredito que exista uma “receita de bolo” para se utilizar em todas as situações. Existe um arsenal de práticas e metodologias que podem e devem ser utilizadas de acordo com o cenário encontrado em cada organização. Não se trata de implantar as metodologias ágeis para seguir a tendência atual, ou para solucionar todas as deficiências nas entregas de produtos ou projetos, mais especificamente os de Tecnologia. Trata-se de identificar e entender o problema que se quer resolver: falta de alinhamento estratégico, falta de comunicação com os clientes, falta de gestão do portfólio de projetos, inexistência de processo para criação de produtos, baixa qualidade da entrega, falta de processo de desenvolvimento de software, desmotivação da equipe e etc. Muitas vezes, uma combinação de vários deles ou de todos eles até. E os caminhos são diversos.

É sempre bom também contar com o patrocínio da alta gestão da empresa para uma mudança, mas, eventualmente, isso não acontece de início. Com relação às práticas ágeis, vender esta ideia para o board, nem sempre é fácil. Apesar dos conceitos simples, eles podem soar tão simples que não ganham credibilidade. E isso é normal. Então, como fazer? Bem, é preciso mostrar que funcionam! Nestes casos, vale montar um piloto e começar devagar, “comendo o mingau pelas beiradas”.

Temos alguns casos de sucesso para mostrar que a abordagem para adesão às metodologias ágeis depende de cada contexto, e que não adianta implantar indiscriminadamente, “goela abaixo”, as mais modernas práticas disponíveis de uma vez. Um caso que evidencia bem esta situação aconteceu em uma grande empresa de mídia. As práticas ágeis chegaram como uma boa novidade. Houve certo entusiasmo da alta gestão para seu uso, cuja promessa era garantir mais entregas de produtos em espaços de tempo cada vez mais curtos. Tudo o que eles queriam. No entanto, não houve patrocínio para uma mudança de cultura e processos que precisava permear todas as áreas, em não apenas a TI, no desenvolvimento de produtos. Mas foi a Tecnologia que efetivamente comprou a ideia e sua implantação, através da média gerência.

Os times foram envolvidos e se comprometeram com a mudança. As primeiras experiências não deram nem tão certo, mas o aprendizado adquirido e compartilhado mostrava claramente que o caminho era aquele. Interessante constatar o quanto as equipes de desenvolvimento identificaram-se com o novo processo e motivaram-se com ele. E esse foi apenas o início. Fundamental, porém, para embasar todas as demais mudanças que estavam por vir.

O cenário era complexo. A empresa, motivada pelas dificuldades e os desafios da indústria de mídia, passava por grandes mudanças: organizacional e estratégica, que fez com que a mesma investisse na troca de sua plataforma de publicação. A equipe de Tecnologia estava crescendo rapidamente e absorvendo novos profissionais, muitos deles mais juniores. Absorvia também novas ferramentas e não existia um processo maduro de desenvolvimento. Longe disso! A área de TI também sofria com os prazos apertados e as entregas não cumpridas. Portanto, apesar da necessidade de modernização urgente, não dava para se fazer tudo ao mesmo tempo. O risco de comprometer ainda mais as entregas e acabar de vez com a credibilidade da Tecnologia era enorme.

O início se deu com a adoção de metodologias ágeis para gerir as atividades da equipe de desenvolvimento: num primeiro momento o Scrum, com algumas pitadas do Kanban. Os resultados junto aos times foram animadores e vieram rapidamente: as entregas começaram a fluir e, cada vez mais, os clientes estavam mais próximos desta rotina, respirando os produtos. Em pouco tempo, o time de desenvolvimento virou a equipe do produto. Ótimo! Era este o ambiente desejado.

Hora de fazer mais mexidas, agora no processo de desenvolvimento: novos conceitos foram incorporados como a orientação a testes e o foco em qualidade. Mais adiante, foi criada a “cesta de indicadores de qualidade”, com o objetivo de medir o desempenho, aumentar a transparência junto ao usuário e tangibilizar melhor o aprendizado da equipe. Toda esta evolução feita paulatinamente e com a participação efetiva das equipes, exatamente para criar o estado de pertencimento e propriedade.

Desta forma o comprometimento, não apenas com o produto a ser entregue, mas com os processo e práticas garantiu que as mudanças ocorridas passassem a fazer parte da nova cultura corrente.

Mas tudo a seu tempo. Respeitando-se as limitações da empresa, da gestão e das equipes e levando-se em consideração o contexto e o momento corporativo. Não é problema se permitir fazer concessões às práticas ou métodos ou abordagens, desde que se respeite os conceitos fundamentais e o foco na conscientização de uma nova filosofia de trabalho participativa, transparente e colaborativa.


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A Culpa é da TI?

Entregas não realizadas, prazos não cumpridos, usuários insatisfeitos, oportunidades de mercado perdidas, executivos pressionando, cobrança, equipe desmotivada. Normalmente, sempre por “culpa da TI”. Este cenário é muito comum e a “necessidade” de se encontrar um culpado faz a corda arrebentar para o lado mais fraco. Este lado quase sempre é a equipe de Tecnologia, que muitas vezes, não é vista ou tida como estratégica e funciona como uma anotadora de pedidos, que precisa fazer as entregas a qualquer custo.

Nem sempre prazos apertados ou impossíveis, falta de definição dos requisitos, mudanças de escopo constantes e falta de comprometimento de outras áreas envolvidas são levados em consideração para se avaliar o melhor direcionamento para o projeto. Nada! O importante é encontrar logo o culpado e “passar o mico”. A bomba vai estourar na ponta e a ponta é exatamente quem vai fazer a entrega final, a TI. Estas equipes, muitas vezes, atuam com seus “heróis”, tentando recuperar o tempo perdido. Fazem de tudo, viram a noite, perdem os finais de semana e feriados. Mas, no final, não entregam, perdem o prazo ou geram produtos sem qualidade. O maior problema, porém, é a insistência em repetir esta sistemática. E isso se repete e se repete e se repete…  Não vai dar certo! Vai dar problema de novo e mais cobranças e desconfianças sobre a área de Tecnologia.

É isso que temos visto nas empresas por onde passamos. É um padrão. Obviamente, os CIOs se preocupam com esta situação, pois é sempre a sua área que está em xeque.  Mas, como dizia o poeta: “os heróis morreram de overdose”. A solução não está por aí. Por mais preparados que sejam os profissionais de tecnologia, é melhor deixar as missões impossíveis para os Vingadores nas salas de cinema.

Para obtermos resultados diferentes, precisamos fazer diferente! É importante olhar todo o processo e comprometer todos os envolvidos (e não apenas a TI), fazendo com que as áreas trabalhem e funcionem de forma colaborativa. Não é fácil na cultura de empresas que ainda insistem em encontrar culpados e, por isso, o trabalho precisa ser mais profundo. Ele passa por uma transformação e mexe na cultura, nas pessoas, e nos processos, para que todos entendam seu papel e se comprometam com a entrega final como uma equipe, independentemente da área em que atuam.

Parece simples, mas sabemos que não é tão fácil assim. Existem muitas questões envolvidas no ambiente corporativo: política, vaidade, metas dos executivos (normalmente, não convergentes), orçamento e etc., que acabam inibindo o comportamento desejado de colaboração e comprometimento com o mesmo fim. Muitas vezes, as equipes recebem a solução pronta a ser implementada. E este é o pior dos mundos. É muito importante que o time conheça a direção, a estratégia e tenha um propósito. Reunindo as competências corretas e, com o direcionamento adequado, a equipe vai encontrar as melhoras soluções. Ao fazer isso, conquista-se um dos maiores ingredientes do sucesso: engajamento.

O caminho para esta mudança passa por quebras de paradigmas e uso de práticas menos intuitivas, que compõem o arsenal existente de práticas ágeis. Desde que passamos a usá-las ou introduzi-las nas empresas, a realidade mudou para estas equipes. Mas, ainda assim, existe certa desconfiança sobre a utilização destas práticas: parecem frágeis, feitas “nas coxas” e soam como brincadeira – é “aquela turma dos post-its”. Afinal, as metodologias tradicionais de gestão de projetos ou de desenvolvimento de software estão aí há décadas, geram uma incrível quantidade de documentação e não deve haver nada mais robusto que isso, não é mesmo? Bem, não é bem assim. Apesar de simples (muitos simples!), as práticas ágeis requerem muita disciplina e processos estruturados para garantir as entregas periódicas. Requerem ainda transparência e muita interação com o cliente, que acaba se envolvendo de tal forma com o método de trabalho e com o produto a ser entregue, que passa a ser o primeiro a defender a equipe de Tecnologia. Ele não é mais aquele “inimigo”, que fica mudando o escopo a cada instante e culpa o desenvolvimento pelo não cumprimento de prazo. A entrega é tão dele quanto de qualquer outro no time e a colaboração flui. Além disso, as mudanças, antes tão indesejadas pela TI e sempre motivo de conflitos, passam a fazer parte do processo de trabalho, direcionando as entregas para o maior valor agregado ao produto final.

Estas mudanças culturais, processuais e de foco não estão limitadas ao ambiente de Tecnologia, ali na ponta, onde o produto ou sistema será desenvolvido. Ao contrário, precisa ocorrer em todo o “value stream”, desde seu início nas definições estratégicas e a escolha correta do portfólio (“o que fazer”). O foco é no valor a ser gerado pelo que se está entregando. Então, entender como captar este valor e medi-lo passa a ser de grande relevância e chave em todo o processo. A entrega (o desenvolvimento) também precisa ser bem feita, é claro!, e é importante ter este fluxo estruturado (o “como fazer”). Mas, a esta altura, o trabalho colaborativo já está estabelecido: uma transformação em todos os níveis, através da criação de uma cultura de participação, autonomia, engajamento, responsabilidade, transparência com muito trabalho em equipe para entrega de valor para o negócio. Simples assim.


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