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Exemplo de Quadro Scrum

Como é que de quadros e post-its vai sair um software bom para os clientes?

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Category : Bússola Digital

Olá,

Tudo bem? Para quem nunca usou Scrum (ou outra metodologia ágil na prática), é muito comum ter essa dúvida: como é que de um quadrinho com post-its coloridos sai um software decente e, ainda mais, que agrade aos clientes e usuários?

Quando comecei a adotar o Scrum na Infoglobo, em 2008, também tinha essa desconfiança… um certo preconceito até. E não me envergonho em admitir isso, porque sei que não é uma questão de certo ou errado… apenas eu vivia dentro de um paradigma de trabalho diferente, que era uma continuação do que tinha estudado na faculdade.

Ainda bem que consegui me dar a oportunidade de trabalhar com o Scrum e, hoje, muitos anos e projetos entregues com sucesso depois, consigo ver a realidade de outra forma. Tenho plena convicção de que o método funciona bem para qualquer tipo de software e processo de trabalho. Já usei inclusive para reformar meu apartamento!

Uma de suas ferramentas mais valiosas, talvez a mais percebida por todos (os que usam e os que não usam o método) e, por isso mesmo, talvez a mais controversa, é o quadro Scrum.

Compartilho com você neste vídeo minha visão de por que um quadro Scrum funciona e promove transformações tão profundas.

Lendo o livro “Scrum – Gestão Ágil para Projetos de Sucesso”, de Rafael Sabbagh, entendi a explicação científica por trás dessa minha percepção de transparência que o quadro Scrum proporciona:

“Esse tipo de quadro é classificado como ‘irradiador de informação’, ou seja, a informação chega aos olhos de quem é importante chegar sem haver um esforço significativo para buscá-la. É muito mais eficiente, por exemplo, do que um programa de computador, que necessita de ser acessado para mostrar a informação.”

Como disse no vídeo, o quadro básico de Scrum é muito simples, composto por uma lista ordenada de histórias e tarefas, com 3 colunas: a fazer (to do), fazendo (wip) e feito (done).

Exemplo de Quadro Scrum

Exemplo de Quadro Scrum

As histórias mais importantes, que devem ser concluídas primeiro, ficam em cima. As menos importantes, ficam em baixo. Embora as histórias sejam de autoria do Product Owner (pelo menos a autoria principal), as tarefas (os post-its menores) são de autoria do time de desenvolvimento.

Isto significa que é o time que decide o que será feito para entregar a história. O Fabrício, que já participou como membro de time e Scrum Master em vários projetos Scrum, tem um depoimento interessante sobre esta questão:

“O quadro Scrum dá uma sensação de empoderamento e autonomia incríveis ao time. É muito diferente você trabalhar em algo em que você teve a oportunidade de opinar e dizer que achava que era importante fazer aquilo, do que quando você faz porque te passaram a atividade, ou para seguir um processo ou uma norma corporativa, simplesmente por seguir.

Até mesmo as atividades de documentação, QA e testes, que normalmente são atividades menos prazerosas para os desenvolvedores, tornam-se mais agradáveis desta forma.

Lembro-me de que um diagrama que fizemos em praticamente todos os projetos é o diagrama de arquitetura explicitando os componentes da solução e os pontos de conexão das integrações. O time percebe que ele é necessário: ao invés de toda hora um ficar perguntando para o outro “Qual é mesmo o nome ou IP/porta do servidor de qualidade daquela API?”, o time sente que pode performar melhor se investir um pouco de esforço em criar um diagrama simples que possa ser consultado sempre que necessário.

O quadro Scrum também é uma expressão do modelo mental coletivo do trabalho. E a gente, como membro do time, percebe que esse modelo mental coletivo é maior do que o nosso modelo mental individual. A gente sente que a equipe consegue fazer coisas que eu, sozinho, não consigo. Mas eu faço parte da equipe, faço parte dela e contribuo com ela. Tem uma parte de meu valor aí. Só que o ponto é que o valor total é maior do que a soma dos valores individuais. A gente vê isso claramente com as histórias e tarefas no quadro.

Outra coisa que eu acho muito positivo é que com o quadro Scrum o time fica muito bem organizado. Eu podia sair mais cedo e no dia seguinte, quando eu chegasse, eu sabia exatamente no quê eu deveria trabalhar, sem correr o risco de retrabalho. Se eu ficasse até mais tarde, não precisava me preocupar em mandar um email avisando para o primeiro que chegasse no dia seguinte onde parei. Era simplesmente chegar, olhar o quadro, e puxar a próxima atividade.

Por último, o quadro Scrum tem um pouco de coisa lúdica… é como se fosse um tabuleiro de jogos, em que a gente tem que andar com os post-its para a direita. Pode parecer bobagem, mas o fato é que é de certa forma divertido fazer isso… a sensação de olhar para o quadro e ver os post-its todos à direita, na coluna ‘Feito’ é muito boa. Eu acho até que essa sensação positiva é compartilhada também pelo PO e pelos stakeholders.

Tudo isso motiva muito! E trabalhar motivado é simplesmente muito bom!”

Para fechar, um alerta: o quadro Scrum é simples, eficaz e excelente instrumento de trabalho para o seu time. Mas, ele não faz mágica. São os desenvolvedores que continuam criando o software. O quadro apenas ajuda o seu time a trabalhar melhor, nas coisas certas, e encontrar sua melhor performance.

Abraços,

Cláudio Barizon
Diretor de Produtos Digitais
ViaDigital.Solutions
Métodos de startups aplicados a soluções empresariais


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Retrospectiva Scrum

O que será que o próprio time acha da retrospectiva?

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Category : Bússola Digital

Olá,

Quem ainda procura por uma oportunidade de trabalhar com Scrum na prática, costumar ter muitas curiosidades. (Não estou falando de curso de Scrum, refiro-me ao dia-a-dia, a fazer parte de um time Scrum de verdade.)

Um dos ritos mais intrigantes costuma ser a retrospectiva. Particularmente, eu acho o rito mais importante, porque é nela que vejo a oportunidade concreta da melhoria contínua dos processos.

Outro dia recebi um depoimento de um analista que trabalhou com a gente no Portal do Gerenciamento das Obras do Parque Olímpico. Veja o que ele disse sobre a retrospectiva (vou deixar exatamente com as palavras dele):

Po esqueci de falar na auto avaliação, acho q é outro ponto excelente, a “lavagem de roupa suja” ajuda a ver se tem algum gargalo na equipe/processo ou ate te faz refletir como vc poderia contribuir melhor em todo o processo.

É bacana, não é?! Um ponto importante é que ele estava bem desmotivado antes de usarmos o Scrum e depois virou completamente o jogo, realizando todo o seu potencial como profissional. “Dê autonomia ao time, que ele te entrega resultados.”

É fato.

Um abraço,

Fabrício Fujikawa
ViaDigital.Solutions
Métodos de startups aplicados a soluções empresariais

PS: a foto que ilustra a matéria é deste post (em Inglês) que, curiosamente, incentiva a abolir a retrospectiva. Coloquei o link aqui porque sou a favor da pluralidade de ideias. Vale conferir. 🙂


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