Monthly Archives: dezembro 2016

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Computação Positiva: Bem-estar à frente na relação homem-máquina

Como informamos no último post sobre Negócios Colaborativos, segue aqui a reprodução do artigo completo “Computação Positiva: Bem-estar à frente na relação homem-máquina”, da jornalista Grazieli Gotardoque e que foi capa do recém-publicado Anuário de 2016 da SUCESU-RS.

Ele apresenta este interessante conceito, a Computação Positiva, baseado na obra dos professores da Universidade de Sydney, Austrália, Rafael A. Calvo e Dorian Peters em seu livro Positive Computing – Technology for Wellbeing and Human Potential (MIT Press, 2014).

 

Computação Positiva: Bem-estar à frente na relação homem-máquina

Movimento surgido em 2014 na Austrália defende uma nova era na computação, em que o estudo das emoções positivas seja a base para o desenvolvimento tecnológico, trazendo benefícios psicológicos e sociais

Se uma nova tecnologia não for para melhorar o bem-estar individual, da sociedade ou do planeta, ela deveria existir? Essa é a pergunta feita logo no início do livro Positive Computing – Technology for Wellbeing and Human Potential (MIT Press, 2014), dos professores da Universidade de Sydney, na Austrália, Rafael A. Calvo e Dorian Peters. A obra, com chancela de renomadas instituições norte-americanas e europeias, abriu a discussão no meio acadê- mico sobre uma nova área multidisciplinar que reúne psicologia, economia, educação, neurociência e interação homem-máquina.

Mobilidade, internet das coisas, vestíveis, realidade aumentada e virtual, tudo isso está cada dia mais presente na vida das pessoas. Se, por um lado, a tecnologia encanta porque reduz distâncias, integra e aumenta a produtividade, por outro, pesquisas também indicam o aumento do estresse e da ansiedade no mundo causados pelas novas tecnologias. Este é o desafio da computação positiva, trazer para uma área exata e sempre ávida por números, conceitos de bem-estar.

Termos como emoções positivas, autoconsciência, motivação, empenho, atenção plena, empatia, compaixão e altruísmo estão presentes nos estudos em computação positiva. “Estamos gradualmente deixando para trás o forte impulso pela produtividade e eficiência que caracterizou o início da computação e amadurecendo para uma nova era em que as pessoas exigem que a tecnologia contribua para seu bem-estar, bem como com algum tipo de ganho social”, afirmam os autores. Calvo destaca o desafio dos profissionais de tecnologia, em especial desenvolvedores de software e engenheiros, pois basta ele mencionar conceitos como bem-estar e felicidade em suas palestras para observar algumas “expressões de estranhamento” ou receber “provocações acadêmicas”.

O objetivo é que, além de atuar em aspectos emocionais, a tecnologia contribua para melhoria da experiência do usuário de modo geral, o que, para os autores, é inevitável no momento tecnológico. Alguns dados comprovam. Em 2016, quase 3,5 bilhões de pessoas (46% da população mundial) têm acesso à internet (internetlivestats) e 4,5 bilhões têm smartphones (statista.com). A tecnologia é interativa e onipresente.

No caminho da psicologia positiva

A psicologia positiva é a “estrada que pavimenta” a computação positiva, como citam Calvo e Dorian no livro. Igualmente novo, o movimento surgiu oficialmente nos Estados Unidos, na década de 1990, a partir da iniciativa de Martin E. P. Seligman, psicólogo e professor da Universidade da Pensilvânia. Na psicologia positiva, a prioridade é o estudo das emoções positivas e de fatores que levam as pessoas a ter mais felicidade, em detrimento das patologias. São três pilares: emoções positivas, traços positivos e estudo das instituições positivas (democracia, liberdade, família).

Apesar de os estudos sobre qualidade de vida e felicidade não serem algo novo, pois são feitos desde a década de 1970 gerando índices como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), apenas nos últimos anos a tecnologia permite a medição de aspectos subjetivos e em tempo real. Ao ser perguntado se a humanidade está mais feliz atualmente do que há 20 anos, quando havia bem menos tecnologia à disposição, o professor Seligman é lacônico: “Pouca mudança”. Por isso, para ele, a política da próxima década será o bem-estar antes da produtividade e a tecnologia é a ferramenta para “medir o bem-estar em tempo real e realizar intervenções adequadas em tempo real”.

É o que explica Claudia Hofheinz Giacomoni, Coordenadora do Núcleo de Estudos em Psicologia Positiva (NEPP), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “O que determina a interpretação do conceito de bem-estar e felicidade são aspectos subjetivos, cognitivos e emocionais. Porque tudo depende do uso e da interpretação que o sujeito vai fazer da situação”, afirma. Ela complementa que aspectos como a personalidade do indivíduo e a adaptação ao ambiente também são importantes. A tecnologia agora pode ajudar a compreender melhor a experiência emocional das pessoas através de análise de textos, expressão facial, fisiologia, interação e análises comportamentais.

 


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Negócios Colaborativos e uma Sociedade mais Próspera

Category : Bússola Digital

Mais um artigo interessante que reproduzimos aqui no Bússola Digital. Ele trata da “Computação Positiva” e foi capa do Anuário de 2016 da SUCESU-RS, que acaba de ser publicado e foi escrito pela jornalista Grazieli Gotardo da Reverso Comunicação.

Na verdade, destacamos a parte do texto sobre “Negócios Colaborativos e uma Sociedade mais Próspera”, onde são apresentados dois rápidos cases: o ZEHNK (ferramenta para gestão do trabalho colaborativo), que já foi referenciado no post anterior, e o Mundo Prateado, uma linda iniciativa de duas corajosas empreendedoras.

No próximo post, porém, reproduziremos o artigo completo que trata da “Computação Positiva: Bem-estar à frente na relação homem-máquina”, para conhecermos mais sobre este conceito.

 

Negócios colaborativos e uma sociedade mais próspera

Inserir o bem-estar na estratégia da empresa, no escopo dos projetos, no treinamento dos colaboradores e como benefício para o cliente. Este é o desafio dos empreendedores, em especial na área de tecnologia. Porém, uma rápida pesquisa no Google com o termo computação positiva em português mostra que o conceito não encontra referências no Brasil, nem acadêmicas, nem no mercado corporativo.

Alguns empreendedores, no entanto, já estão atentos. É o caso de André Monclaro Fleury, fundador da Zehnk Technology do Brasil. “Na verdade, o aplico muito antes de conhecer. A falta de soluções corporativas que colocassem o usuário em primeiro plano foi o principal motivo de criarmos a Zehnk. Eu e meus sócios temos mais de 25 anos de mercado e tínhamos isso em mente, que não existem soluções que melhorem a vida de quem trabalha, que, através do uso delas, as pessoas consigam ser mais livres, mais felizes”, conta.

O Zehnk é um sistema que fomenta o trabalho colaborativo, um aplicativo web e em que todos precisam trabalhar juntos para resolver um problema. Por isso, Fleury acredita totalmente na aplicação da computação positiva nos negócios. “Nosso time não tem meta de produtividade. Toda semana cada um olha o que temos de trabalho planejado e decide quanto daquilo está disposto a fazer. E isso é sensacional”, exalta.

Outro exemplo de negócio que já nasceu pensando no bem-estar é a startup social Mundo Prateado, plataforma que reúne informações, serviços e produtos com foco na população acima dos 60 anos. “Como o Mundo Prateado visa promover o bem-estar ou o bem viver dos idosos e seus familiares, a aplicação dos conceitos da psicologia e da computação positiva é inerente ao negócio. O movimento por trás do Mundo Prateado é a recriação da cultura de respeito ao idoso e da rede social que o deve apoiar, assegurando relacionamentos, engajamentos, propósitos, enfim, uma vida social positiva”, explica Marta Pessoa, sócia, que esteve em São Francisco (EUA), em outubro, para apresentar o projeto, o qual foi selecionado por uma busca global de startups sociais.

 


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