Computação Positiva: Bem-estar à frente na relação homem-máquina

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Computação Positiva: Bem-estar à frente na relação homem-máquina

Como informamos no último post sobre Negócios Colaborativos, segue aqui a reprodução do artigo completo “Computação Positiva: Bem-estar à frente na relação homem-máquina”, da jornalista Grazieli Gotardoque e que foi capa do recém-publicado Anuário de 2016 da SUCESU-RS.

Ele apresenta este interessante conceito, a Computação Positiva, baseado na obra dos professores da Universidade de Sydney, Austrália, Rafael A. Calvo e Dorian Peters em seu livro Positive Computing – Technology for Wellbeing and Human Potential (MIT Press, 2014).

 

Computação Positiva: Bem-estar à frente na relação homem-máquina

Movimento surgido em 2014 na Austrália defende uma nova era na computação, em que o estudo das emoções positivas seja a base para o desenvolvimento tecnológico, trazendo benefícios psicológicos e sociais

Se uma nova tecnologia não for para melhorar o bem-estar individual, da sociedade ou do planeta, ela deveria existir? Essa é a pergunta feita logo no início do livro Positive Computing – Technology for Wellbeing and Human Potential (MIT Press, 2014), dos professores da Universidade de Sydney, na Austrália, Rafael A. Calvo e Dorian Peters. A obra, com chancela de renomadas instituições norte-americanas e europeias, abriu a discussão no meio acadê- mico sobre uma nova área multidisciplinar que reúne psicologia, economia, educação, neurociência e interação homem-máquina.

Mobilidade, internet das coisas, vestíveis, realidade aumentada e virtual, tudo isso está cada dia mais presente na vida das pessoas. Se, por um lado, a tecnologia encanta porque reduz distâncias, integra e aumenta a produtividade, por outro, pesquisas também indicam o aumento do estresse e da ansiedade no mundo causados pelas novas tecnologias. Este é o desafio da computação positiva, trazer para uma área exata e sempre ávida por números, conceitos de bem-estar.

Termos como emoções positivas, autoconsciência, motivação, empenho, atenção plena, empatia, compaixão e altruísmo estão presentes nos estudos em computação positiva. “Estamos gradualmente deixando para trás o forte impulso pela produtividade e eficiência que caracterizou o início da computação e amadurecendo para uma nova era em que as pessoas exigem que a tecnologia contribua para seu bem-estar, bem como com algum tipo de ganho social”, afirmam os autores. Calvo destaca o desafio dos profissionais de tecnologia, em especial desenvolvedores de software e engenheiros, pois basta ele mencionar conceitos como bem-estar e felicidade em suas palestras para observar algumas “expressões de estranhamento” ou receber “provocações acadêmicas”.

O objetivo é que, além de atuar em aspectos emocionais, a tecnologia contribua para melhoria da experiência do usuário de modo geral, o que, para os autores, é inevitável no momento tecnológico. Alguns dados comprovam. Em 2016, quase 3,5 bilhões de pessoas (46% da população mundial) têm acesso à internet (internetlivestats) e 4,5 bilhões têm smartphones (statista.com). A tecnologia é interativa e onipresente.

No caminho da psicologia positiva

A psicologia positiva é a “estrada que pavimenta” a computação positiva, como citam Calvo e Dorian no livro. Igualmente novo, o movimento surgiu oficialmente nos Estados Unidos, na década de 1990, a partir da iniciativa de Martin E. P. Seligman, psicólogo e professor da Universidade da Pensilvânia. Na psicologia positiva, a prioridade é o estudo das emoções positivas e de fatores que levam as pessoas a ter mais felicidade, em detrimento das patologias. São três pilares: emoções positivas, traços positivos e estudo das instituições positivas (democracia, liberdade, família).

Apesar de os estudos sobre qualidade de vida e felicidade não serem algo novo, pois são feitos desde a década de 1970 gerando índices como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), apenas nos últimos anos a tecnologia permite a medição de aspectos subjetivos e em tempo real. Ao ser perguntado se a humanidade está mais feliz atualmente do que há 20 anos, quando havia bem menos tecnologia à disposição, o professor Seligman é lacônico: “Pouca mudança”. Por isso, para ele, a política da próxima década será o bem-estar antes da produtividade e a tecnologia é a ferramenta para “medir o bem-estar em tempo real e realizar intervenções adequadas em tempo real”.

É o que explica Claudia Hofheinz Giacomoni, Coordenadora do Núcleo de Estudos em Psicologia Positiva (NEPP), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “O que determina a interpretação do conceito de bem-estar e felicidade são aspectos subjetivos, cognitivos e emocionais. Porque tudo depende do uso e da interpretação que o sujeito vai fazer da situação”, afirma. Ela complementa que aspectos como a personalidade do indivíduo e a adaptação ao ambiente também são importantes. A tecnologia agora pode ajudar a compreender melhor a experiência emocional das pessoas através de análise de textos, expressão facial, fisiologia, interação e análises comportamentais.

 


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Organizando o Trabalho Colaborativo

Reproduzo, abaixo, o artigo “Organizando o trabalho colaborativo” publicado no Projeto #Colabora pelo jornalista Nelson Vasconcelos. Ele traz uma tendência que começa a tomar forma também no Brasil, com ferramentas de apoio ao trabalho colaborativo para equipes de todos os portes e que querem se organizar e se comunicar melhor. Este conceito vem ganhando uma nova categoria definida pelo Gartner: o CWM, Collaborative Work Management.

O artigo mostra também um pouco da nossa experiência em uma iniciativa muito bacana no mundo das startups, através da criação de uma ferramenta de CWM, o Zehnk.

Obs.: Conheça também o Manifesto do Trabalho Colaborativo.

Veja o artigo do Nelson:

Novos softwares ajudam empreendedores a ganhar eficiência

A facilidade da comunicação via internet ajuda a sustentar a crescente onda do trabalho colaborativo – e nada indica que ele vai perder sua força. Mas, tocado de forma colaborativa ou não, não esqueçamos que todo projeto sério precisa de muitas discussões, testes, revisões etc. E a documentação gerada ao longo desses processos costuma ser gigante. É justamente para evitar o caos nesse segmento que começam a surgir softwares para a gestão de trabalho colaborativo – também chamados de CWM (de Collaborative Work Management).

Queremos evitar a dispersão dos dados e a perda de tempo (e produtividade) na sua busca.

Claudio Barizon – Diretor da Zehnk

 

O principal objetivo desses programas é concentrar numa mesma plataforma todas as trocas de informação entre os diversos colaboradores de um mesmo projeto. Imagine, por exemplo, quantas mensagens via e-mail, WhatsApp, Messenger etc são trocadas durante a execução de um mesmo projeto na área de educação. Organizar tudo isso, priorizando os insights positivos, é uma tarefa difícil e delicada.

– Queremos evitar a dispersão dos dados e a perda de tempo (e produtividade) na sua busca – diz Claudio Barizon, diretor da Zehnk, ferramenta de CWM que entrou em operação em setembro de 2016 e rapidamente encontrou um público interessado no assunto.

De fato, é um mercado promissor. Barizon calcula que ele pode chegar a dois bilhões de pessoas nos próximos anos. Não por acaso, muitos desenvolvedores de softwares já estão oferecendo suas soluções. É o caso das americanas Clarizen, Redbooth, Wrike, Planview e Asana, entre outras tantas. São softwares semelhantes entre si, mas não exatamente fáceis de serem operados.

Já a brasileira Zehnk, diz Barizon, está mirando num público mais amplo, que não tem muita intimidade com a tecnologia. Taí uma boa ideia. Com muita frequência, softwares de gerenciamento corporativo exigem o reforço de um profissional qualificado. No entanto, nem todas as empresas contam com esse tipo de colaborador em suas equipes ou têm recursos para contratá-los. Franquear o livre acesso a todas as áreas do projeto também é uma das características dos softwares de CWM, respeitando a lógica dos projetos colaborativos, que não costumam ter hierarquias rígidas na sua organização. A comunicação entre as partes tem que ser ampla, geral e irrestrita, e é assim que esses programas funcionam.

O conceito de ferramentas de CWM é muito novo e certamente vai ganhar terreno não só entre os projetos colaborativos, mas também entre empresas mais tradicionais e que tenham equipes reduzidas. E diria ainda que as ferramentas de CWM podem ser usadas até mesmo para administrar projetos domésticos, como as próximas férias, ou as grandes festas de família – esses eventos que exigem um planejamento e muita paciência, como bem sabemos. Mas aí é outra história.


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